Tipos de Introdução

Belas Letras Redação e Humanidade

Tipos de Introdução

Prof. Caio Camargo12 de março de 2018
Tipos de Introdução

O texto dissertativo-argumentativo caracteriza-se pela variedade de possibilidades de elaborar sua introdução. Como regra geral, no parágrafo introdutório, o autor deve apresentar ao seu leitor uma contextualização do tema, ou seja, é na introdução que a problematização é lançada e será inaugurada a discussão que virá a seguir, nos argumentos.

Sendo assim, tomando como base o tema O COMBATE À PEDOFILIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO, listaremos algumas das possibilidades de iniciar a dissertação.

 

a) Citação ou Paráfrase

 

Quando o autor opta por uma citação ou paráfrase, sua intenção deve ser resumir seu ponto de vista utilizando-se, como base, a autoridade de um pensador, o tema abordado em um livro ou filme, ou mesmo uma letra de música. Nesse sentido, a ideia é apoiar-se numa fala de autoridade para reafirmar aquilo que se pretende dizer. Isso, claro, além de atribuir maior conteúdo ao texto, demonstra um repertório cultural maior por parte do autor.

 

Exemplo i) Oscar Wilde uma vez disse, “A melhor maneira de tornar as crianças boas é torna-las felizes”. Nesse sentido, todo rompimento dessa inocência e na chance de torna-la feliz interfere na possibilidade de um futuro promissor e, dessa maneira, no Brasil contemporâneo, surge como ameaça a esse bem-estar a pedofilia, que ganhou força, principalmente, com a revolução tecnológica das ferramentas de socialização.

 

Exemplo ii) Segundo Pitágoras, devemos educar as crianças para não punir os adultos. Sendo assim, num contexto de forte difusão de ferramentas tecnológicas para interação, como as redes sociais, as crianças estão expostas à maldade presente em alguns indivíduos: os casos de pedofilia seguem uma curva crescente e, por isso, surge todo um cenário de orientação para o combate desse mal.

 

b) Pergunta

 

Fazer uma pergunta na introdução é outro recurso possível para o autor direcionar o leitor à discussão que será feita logo a seguir. É importante lembrar que quando se lança uma indagação, a resposta para ela não deve ser feita logo a seguir ou já no primeiro parágrafo argumentativo. O texto, como um todo, deverá será a resposta; sendo assim, o leitor, ao final das últimas linhas deverá chegar à resposta para aquela pergunta.

 

Exemplo i) A pedofilia é um fantasma que assombra o bem-estar das crianças, principalmente, diante de um contexto em que a internet faz parte de nossas vidas de maneira intensa e constante. Nesse sentido, diante da ameaça presente no mundo virtual, de que maneira ocorre o assédio e como podemos evitá-lo?

 

Exemplo ii) Uma sociedade, constantemente, apresenta sinais de enfermidade, quando algum valor socialmente compartilhado é ferido, criando uma mácula no seu desenvolvimento harmônico. Na base de sua formação, no que se refere às crianças, vivemos no Brasil contemporâneo um contexto em que a pedofilia ameaça a dignidade e o bem-estar dela. Entretanto, embora os casos estejam em uma curva crescente de incidência, haveria uma forma de barrar essa ameaça?

 

c) Retomada histórica

 

A retomada histórica é um recurso bastante rico na construção da introdução da dissertação. Ao fazer uso dela, o autor não só demonstra conhecimento de determinada linha do tempo, como cria um raciocínio diacrônico que vai justificar, ou ao mesmo explicar, parte da problematização que ele apresenta inicialmente em seu texto. Por exemplo:

 

Exemplo i) Na Antiguidade Clássica, os gregos ficaram marcados pela presença de relações sexuais entre homens adultos e jovens ou adolescentes, construindo, pejorativamente aos nossos olhos, a imagem de uma Atenas pederasta. Com o advento da Idade Média e as proibições sociais oriundas do forte pensamento religioso da época, chegamos a nossa sociedade contemporânea, em que, diante do viés de inocência e pureza da criança, qualquer ato sexual envolvendo essa figura torna-se crime e, dessa maneira, estabelece-se a pedofilia como uma atitude hedionda e sórdida.

 

d) Manchetes

 

O recurso de manchetes para construir uma introdução é outra possibilidade de estilo presente nesse gênero. Sendo assim, nessa modalidade, o autor apresenta manchetes marcantes sobre o tema para problematizar a questão. É importante lembrar que essas manchetes, embora não precisem ser literais, devem retomar casos verídicos, pois forjá-las pode gerar descrédito ao texto.

 

Exemplo i) Criança no interior de SP é vítima de abuso por parte do padrasto. Adolescentes do ensino infantil são molestados por professor na escola pública da Bahia. Duas crianças acusam tio de molestá-las na capital paulista. As manchetes sobre pedofilia são recorrentes nos jornais e demonstram que, nesse embate, ainda estamos longe de anular as ocorrências desse crime.

 

Exemplo ii) Criança no interior de SP é vítima de abuso por parte do padrasto. Adolescentes do ensino infantil são molestados por professor na escola pública da Bahia. Duas crianças acusam tio de molestá-las na capital paulista. A pedofilia se faz, historicamente, presente em várias sociedades e, no Brasil contemporâneo, sua consolidação como crime traz um verdadeiro embate para combatê-la: com o advento da internet, o aumento de casos frustra nossa intenção de preservar a infância desse mal.

 

e) Narrativa

 

A narrativa é um recurso possível na introdução de um texto, mas deve ser usada de maneira serena, visto que há duas situações que podem prejudicar o autor em seu texto: a) o excesso de trecho narrativo e a perda de espaço para a problematização do tema; b) a elaboração de um texto híbrido, ou seja, quando a narrativa se torna parte do texto e se mistura ao gênero dissertativo.

 

Exemplo i) Josué era uma típica criança da periferia dos grandes centros. Filho de mãe solteira e com pouca orientação, tinha vergonha e receio de alguém descobrisse algo sobre as visitas que seu padrasto lhe fazia em seu quarto, ao menos, quatro vezes na semana. Metonimicamente, o caso de Josué representa uma triste realidade nacional: no Brasil contemporâneo, os casos de pedofilia seguem uma curva crescente de incidência e, infelizmente, o combate ainda está longe de atingir sua eficiência.

 

Com base nos exemplos, lembre-se que a introdução é o momento de contextualização do tema e da problematização que o autor trará ao seu leitor. Este, por sua vez, não tem acesso a textos de apoio ou a uma exposição prévia sobre o tema; portanto, tudo aquilo que for ler e conhecer sobre o assunto virá do próprio texto. Nesta primeira etapa, finalmente, a introdução, devemos levar até nosso leitor uma espécie de prólogo da narrativa, ou seja, abrir as portas para toda uma discussão que virá a seguir.

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